quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pense menos


Paciência jovem trader, paciência.

Um dos meus professores profere, eventualmente, essa frase frustrante...

E ele tem razão.

Às vezes, eu me pergunto se sou lento ou se sou impaciente.

Taí o tipo da pergunta que mostra uma questão de perspectiva, de escolha no que crer.

Certos conceitos podem demorar mais tempo para entrar na sua cabeça do que o desejado.

Ou então certos conceitos parecem tão óbvios que você fica irritado de não tê-los concluído antes.

Jesus tinha razão quando dizia que o reino dos céus é das crianças.

(Não, esse não é um post cristão. Aqui fingimos todo esse papo cabeça, desprendido, mas na verdade há uma luta interna entre ser uma pessoa saudável, agnóstica com pitadas de civilização judaico-cristã, e servir a Mamon, deus do dinheiro na Bíblia.)

A criança aprende sem pressa, brincando. Ela não pensa: MEU DEUS PRECISO LOGO APRENDER ESSES NÚMEROS DE UM A DEZ, ESTOU FICANDO PARA TRÁS NO MARKET.

Ah, como eu invejo a mente de uma criança. O reino dos céus do aprendizado é dela. É um caminho muito menos doloroso do que o dos adultos, que se neurotizam em busca de desempenho cada vez melhor, essa quantificação mercadológica do que seria imoral se quantificável.

Mas essa inveja não precisa da mente infantil, também, se transformar noutra neurose fiscalizadora de pensamentos, assim como a neurose atual que possuo, em me fiscalizar para perceber se estou aprendendo tudo rápido ou devagar (nenhuma menção ao Livro do Daniel Kahnemann).

 O ideal mesmo, foi cantado por Tim Maia, numa de suas músicas pouco conhecidas (mas igualmente interessante):
Pense menos
Sim, esse é o título e o refrão da canção.

Como pensar menos no processo de aprendizado? Ainda mais no processo de aprendizado de ser um day-trader, onde a cada instante se perde uma oportunidade de lucro?

O ideal seria parar de se observar durante o aprendizado, parar de se fiscalizar e navegar nesse mar infinito de conhecimento que o mercado proporciona.


Não importa, jovem trader. Navegar é preciso, o mercado não é preciso. 'Preciso' aqui empregado tanto como contrário a imprecisão, e como sinônimo de necessidade.

Quando você experimenta o mercado, vale mais que mil palavras proferidas pelo seu guru dos trades no seu mais novo curso inovador.

Além disso, não devemos operar por precisar, mas por desejar. E o mercado não tem uma estratégia precisa que deva ser copiada.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

tape reading versus análise técnica

Não posso me julgar como pertencente a esta ou àquela escola.

Sou um trader, especulador, e gosto de fazer aquilo que vejo funcionar.

Evidentemente, como ainda careço de um método acessível de backtesting, minha concepção de 'aquilo que funciona' pode ser muito restrita.

Portanto, ao invés de me considerar um empirista, poderia dizer que sou um experimentalista até que se prove o contrário.

E qual é o contrário de experimentalista? Aquele que não experimenta métodos diversos, seja porque é conservador, seja porque se cansou de tantas variações.

Todo mundo começa meio experimentalista na bolsa. Até mesmo aquele aprendiz de um professor rígido, que estimula a hábitos estóicos de se ater fielmente a uma filosofia de percepção do mercado, olha de soslaio para esta ou aquela escola diferente da sua.

Eu não sou muito diferente disso.

Comecei na análise técnica. Era tudo tão mágico! Deduzir que os preços vão subir ou cair baseado num desenho... Mas isso se provou falho na hora de se apostar em muitos ativos.

Então cá estou eu, alternando entre tape reading e análise técnica.

Porque não abandono definitivamente um dos métodos em detrimento do outro? Porque continuo ainda com análise técnica?

O tape reading se mostra valioso em day trading. Uma agressão de compra de um player  institucional é vista como um sinal de entrada num ativo, porque o volume de compra será tão grande que consimurá a liquidez do book de ofertas, elevando os preços para níveis cada vez maiores. Esse é o sinal de compra menos retardado que temos para ingressar num ativo.

Entretanto, como adaptar isso ao Swing Trade? Por enquanto, não tenho conhecimento suficiente para isso.

O tape reading é instantâneo. Se uma pessoa está fazendo uma compra gigantesca de determinado ativo, essa compra pode durar horas ou dias. Se ela durar horas e você chegar no dia seguinte, perdeu o timing para se entrar no ativo. O preço não subirá mais, e ainda é capaz de você tomar um belo de um stop.

Entretanto, compras muito grandes de ativos podem durar dias, e aí que o tape reading pode extrapolar o day trade. Entretanto, o risco aqui é o mesmo de se analisar um gráfico.

Como saber se um player vai comprar mais do mesmo papel no dia seguinte? Não dá. Por isso, em intervalos de tempo maiores do que um dia, eu desconfio da utilidade da leitura da fita. Ela fica tão retardada quanto a análise de um candle diário, e você não tem como se certificar de que o player voltará no dia seguinte.

Para você saber isso, precisa ver se há fluxo violento de compra do mesmo ativo, mas no dia seguinte. Ou seja, não é possível adaptar o tape reading a uma leitura semanal: fazer Swing Trade com esse método requer aplicar o tape reading da mesma forma que no day trading ou seja, acompanhar ao vivo se a agressão ao ativo continua no dia seguinte, e no dia depois desse, e assim sucessivamente.

Ao contrário dos candles, a leitura da fita requer acompanhamento em tempo real. E sabemos que isso pode ser extremamente cansativo se você quiser acompanhar mais de um ativo. Requer várias telas, e não é a toa que traders experientes na leitura da fita não operam regularmente em média mais do que dois ativos.

O tape reading ainda não substituiu a praticidade de se colocar alertas de rompimento em gráficos de candlesticks de ativos que você pode deixar de lado. Há de surgir algum plugin de uma plataforma negociadora que permita receber alarmes de agressão de qualquer ativo, como um scan do mercado.

Eu vou mandar uma solução à Nelógica, a criadora do Profitchart, para criar uma tela de scan de todos os ativos negociados no Ibovespa, e colocar nos ativos alarmes de agressão. Quem sabe eles implementam essa ideia.






sexta-feira, 28 de outubro de 2016

primeira postagem

Decidi criar esse blogue como um diário da minha experiência com bolsa de valores.

Atuo no mercado financeiro como swing e scalper há menos de um ano. Li mais de um livro e fiz mais de um curso. Tenho muitas dúvidas, e a única certeza é de que o mercado é incerto.

Não pretendo ser referência de nada para ninguém, mas acho que algum iniciante incauto pode aprender com meus erros e descobertas - por mais que essas sejam óbvias para muitos tubarões do mercado financeiro.

Aliás, o termo "noob", pra quem não sabe, é uma expressão designada na internet para quem é leigo nalguma coisa, ou não tem muito conhecimento sobre a mesma e se aventura a exercê-la.

Já prevejo muitos traders experientes entrando aqui (devido a zapeadas aleatórias no google) e me dando lições de moral. Claro que vou tentar filtrar, entre uma ofensa e outra, o que posso aprender com seus comentários.

Ainda há pessoas no mundo pensando que o autor de uma publicação sobre algum assunto tenha de saber muito sobre o tema. Não vou me dar à petulância de ter uma postura de professor em cada texto, mas descrever os acontecimentos tal qual o diário de um descobridor, que avança sobre uma nova terra.

Cinco e duas da manhã, num plantão médico vazio.