quinta-feira, 3 de novembro de 2016

tape reading versus análise técnica

Não posso me julgar como pertencente a esta ou àquela escola.

Sou um trader, especulador, e gosto de fazer aquilo que vejo funcionar.

Evidentemente, como ainda careço de um método acessível de backtesting, minha concepção de 'aquilo que funciona' pode ser muito restrita.

Portanto, ao invés de me considerar um empirista, poderia dizer que sou um experimentalista até que se prove o contrário.

E qual é o contrário de experimentalista? Aquele que não experimenta métodos diversos, seja porque é conservador, seja porque se cansou de tantas variações.

Todo mundo começa meio experimentalista na bolsa. Até mesmo aquele aprendiz de um professor rígido, que estimula a hábitos estóicos de se ater fielmente a uma filosofia de percepção do mercado, olha de soslaio para esta ou aquela escola diferente da sua.

Eu não sou muito diferente disso.

Comecei na análise técnica. Era tudo tão mágico! Deduzir que os preços vão subir ou cair baseado num desenho... Mas isso se provou falho na hora de se apostar em muitos ativos.

Então cá estou eu, alternando entre tape reading e análise técnica.

Porque não abandono definitivamente um dos métodos em detrimento do outro? Porque continuo ainda com análise técnica?

O tape reading se mostra valioso em day trading. Uma agressão de compra de um player  institucional é vista como um sinal de entrada num ativo, porque o volume de compra será tão grande que consimurá a liquidez do book de ofertas, elevando os preços para níveis cada vez maiores. Esse é o sinal de compra menos retardado que temos para ingressar num ativo.

Entretanto, como adaptar isso ao Swing Trade? Por enquanto, não tenho conhecimento suficiente para isso.

O tape reading é instantâneo. Se uma pessoa está fazendo uma compra gigantesca de determinado ativo, essa compra pode durar horas ou dias. Se ela durar horas e você chegar no dia seguinte, perdeu o timing para se entrar no ativo. O preço não subirá mais, e ainda é capaz de você tomar um belo de um stop.

Entretanto, compras muito grandes de ativos podem durar dias, e aí que o tape reading pode extrapolar o day trade. Entretanto, o risco aqui é o mesmo de se analisar um gráfico.

Como saber se um player vai comprar mais do mesmo papel no dia seguinte? Não dá. Por isso, em intervalos de tempo maiores do que um dia, eu desconfio da utilidade da leitura da fita. Ela fica tão retardada quanto a análise de um candle diário, e você não tem como se certificar de que o player voltará no dia seguinte.

Para você saber isso, precisa ver se há fluxo violento de compra do mesmo ativo, mas no dia seguinte. Ou seja, não é possível adaptar o tape reading a uma leitura semanal: fazer Swing Trade com esse método requer aplicar o tape reading da mesma forma que no day trading ou seja, acompanhar ao vivo se a agressão ao ativo continua no dia seguinte, e no dia depois desse, e assim sucessivamente.

Ao contrário dos candles, a leitura da fita requer acompanhamento em tempo real. E sabemos que isso pode ser extremamente cansativo se você quiser acompanhar mais de um ativo. Requer várias telas, e não é a toa que traders experientes na leitura da fita não operam regularmente em média mais do que dois ativos.

O tape reading ainda não substituiu a praticidade de se colocar alertas de rompimento em gráficos de candlesticks de ativos que você pode deixar de lado. Há de surgir algum plugin de uma plataforma negociadora que permita receber alarmes de agressão de qualquer ativo, como um scan do mercado.

Eu vou mandar uma solução à Nelógica, a criadora do Profitchart, para criar uma tela de scan de todos os ativos negociados no Ibovespa, e colocar nos ativos alarmes de agressão. Quem sabe eles implementam essa ideia.