sexta-feira, 8 de março de 2019

Cenários possíveis para o dólar (DOL) hoje

Eu parei de operar dólar e mini dólar há algum tempo, porque o mini índice tem ticks financeiramente menores, então as perdas e os lucros podem ser mais administráveis. Mas a análise de qualquer ativo, usando os princípios certos, é a mesma.

Eis que o dólar (assim como o mini dólar) nos mostram a seguinte configuração (gráfico de 15 minutos e indicador de volume market profile, do curso Raio X Preditivo):


O final do último pregão mostra o preço quase voltando para área de valor inferior (VAL, a linha roxa mais alta da figura e marcada por uma linha vermelha) e formando uma linha de tendência de alta muito íngreme (linha vermelha oblíqua).

A condição sinequanon para o primeiro cenário é a ruptura da LTA. Se isso acontecer e voltar para a VAL, pode ser que o vácuo de liquidez do mesmo pregão (indicado pela área verde escura mais superior) deixe o preço cair até a linha horizontal azul clara marcada por uma linha vermelha, que é a área de valor superior do pregão anterior ao último.

Um segundo cenário seria o preço voltar para a linha horizontal vermelha mais alta do gráfico, que é o ponto de controle do último pregão, a área que circulou mais dinheiro. Se isso acontecer, o preço pode retomar o range que esboçou neste pregão e ali ficar indefinidamente, até que os players tenham distribuído dólar o suficiente para em seguida o ativo  cair ou subir - isso porque só sabemos se o preço está acumulando ou distribuindo depois de acontecer o spike pra cima (o que indicaria uma acumulação) ou pra baixo (o que indicaria uma distribuição).

O terceiro cenário é o dólar subir mais ainda. Esse eu confesso estar mais reticente em acreditar, apenas porque o preço fez uma possível armadilha no topo no último pregão. Refiro-me a armadilha como a onda de alta do pregão onde está a máxima do dia. Posso dizer que aquela onda foi uma armadilha porque, após a mesma, o preço não faz mais um topo e fundo ascendentes. Normalmente, a armadilha é um teste de demanda para enganar compradores, que compram no movimento pensando que a tendência de alta vai continuar, mas na verdade logo em seguida ocorre o oposto. Por isso, e apenas por isso, que considero ser remota a possibilidade de mais um dia de alta no dólar.

até que não perdi minha perna: quase três anos de mercado financeiro

O Rodolfo do passado precisa ver o Rodolfo do presente. Esse blogue está há muitos meses sem atualizações.

O Rodolfo do presente vai bem, obrigado. Ele ainda não está lucrando rios de dinheiro na bolsa mas, no último mês, está fazendo muito mais operações vencedoras do que perdedoras.

Na verdade, se o Rodolfo do presente pudesse esboçar seu progresso para que o Rodolfo do passado entendesse como será sua evolução e tivesse mais fé no amanhã, seria da seguinte forma:

Você começou em julho de 2016, com várias operações vencedoras no Swing Trade, mas seguindo calls de empresas de consultoria, como a Empíricus. O que eles mandavam, você fazia e, no estágio em que a bolsa estava, tudo corria às mil maravilhas, com poucos trades perdedores.

Isso o empolgou a procurar operações de day trading, onde perdeu muito dinheiro, na casa do milhar. Uns dois ou três mil em dois ou três meses. Isso foi longe de levá-lo à falência, mas suficiente para ficar assustado e, por conseguinte, não operar por meses, esperando "as feridas cicatrizarem".

Como o Rodolfo do passado sabe, os primeiros meses infelizes de operação em 2016 foram simultâneos a dois cursos consecutivos de day trading. O curso da Day Trader Pro e o curso da Scalper Trader. Infelizmente, você não se acostumou com a metodologia tape reading oferecida por esses cursos, por ser uma pessoa muito visual e pouco afeita aos números. 

Na verdade, após esses meses de perdas consecutivas (final de 2016), você só voltou a operar em janeiro de 2017, onde teve outras perdas. Aí, desistiu de day trading, ficando praticamente dois anos sem operar. Como todos os pregões eram um imenso exercício de tolerância à frustração, foi mais do que natural desistir e ficar dois anos longe de tudo isso.

Agora você vê o quanto era ingênuo ao pensar que bastava aprender uma metodologia para operar com lucro logo em seguida. Mesmo estudando, você passaria por vários e vários pregões sem saber o que estava fazendo, e, quando achasse que sabia, o mercado te responderia com uma amarga negativa.

Você saía dos trades pensando que a verdade estava sempre no mercado e portanto, se você perdia, estava errado. Não tinha aprendido ainda que no mercado, é possível estar certo mas, em cima da hora, o mercado te contrariar.

Os dois anos sem operar foram períodos de mixed feelings, onde a alegria de ter dois filhos conviveria com uma estagnação profissional e existencial abissais. Até que, por volta de agosto de 2018, veio o telefonema.

Um corretor da Guide ligou pra você, sugerindo que transferisse seus valores da XP para lá, alegando que seria um agente muito mais próximo, entrando em contato regularmente para tirar dúvidas e dar sugestões de trades. Aquele telefonema reacendeu a faísca de esperança de ter rendimentos muito superiores à inflação, mas como as porradas do Day trading foram traumáticas, o sonho de viver apenas de mercado nem se cogitava mais.

Você transferiu o dinheiro pra Guide e começou a comprar papéis baseados nos calls do agente. Acertou três operações consecutivas, auferiu lucros maiores do que os vistos há dois anos atrás. A coisa era tão excitante que sua mulher imploraria para também ter uma conta na Guide e começar a operar. Até que ele sugeriu a compra de PETR4.

O processo decisório do agente era misterioso. Às vezes, envolvia a leitura do gráfico e, na maioria das vezes ele se baseava em notícias. Foi assim com a PETR4: havia uma pauta da Petrobras a ser votada no congresso - a tal da Cessão Onerosa - que prometia um spike de alta em PETR4.

Infelizmente, a Cessão Onerosa não foi votada em outubro - mês que você compraria PETR4, nem nos três meses seguintes. Na verdade, escrevo este post em 21 de fevereiro de 2019, e ainda não ocorreu a votação... Após comprar PETR4 na faixa de 27,50, o preço caiu até 22,00.

A tristeza de ver o papel derretendo em outubro e novembro deu lugar à empolgação de ver um vídeo de um canal de YouTube no começo de dezembro. Havia um skinhead baixinho e um japonês gordão que estavam ensinando um método de day trading diferente de tudo que já havia visto. Eles usavam gráficos, mas sempre incluíam volume nas análises do preço, plotado de uma forma visualmente didática.

De fato, no método Raio X Preditivo, o volume da atuação dos grandes players que é a bússola, e não o preço do ativo, contrário ao que se prega em 99% dos cursos. Eles criaram indicadores gráficos que não são baseados em preço, mas em volume financeiro.

O japonês parecia ser o mestre que todos ao redor reverenciavam, enquanto o baixinho esclarecia alguns pontos do mestre sempre que eles pareciam mais complicados. Ensinavam conceitos que você aprendera no curso da Day Trader Pro, só que dessa vez estava entendendo.

Eles ofereciam um curso. Você ficou empolgado com o vídeo e se inscreveu. A empolgação convivia com a incerteza de ser mais um curso que você faria, dentre tantos outros que não se converteram em resultado financeiro desejável.

Até que, após as primeiras aulas, você começou a operar baseado inteiramente no que eles ensinavam. E o que veio a seguir, você não acreditaria.

Com os cursos anteriores, você não conseguia ganhar dinheiro nem mesmo na conta demo. Com esse curso, nos primeiros dias de operação, você levou um susto. Dias e dias de operação na conta demo se mostrariam lucrativos, e você resolveu entrar na conta real.

Os primeiros dias na conta real sempre são adaptações ao medo e à ganância, sendo comum retroceder a estágios anteriores aos que você estava na conta demo. Não foi diferente no seu caso. De fato, você perdeu dinheiro inicialmente, mas a mudança já estava feita: dias de prejuízo na conta real se alternavam com dias de lucro, algo que você nunca tinha visto antes.

Os dias de lucro ainda são minguados. Na verdade, há alguns dias de prejuízo em que você consegue ter mais operações vencedoras do que perdedoras, só que, somadas as tarifas, o saldo final ainda é negativo.

Mesmo ainda tendo resultados negativos no geral, você percebe que há uma evolução ocorrendo. Agora, se tornou claro que é uma questão de tempo virar o jogo e começar a ganhar com consistência. As perdas não te decepcionam tanto quanto outrora, porque finalmente você entendeu que o progresso da habilidade de trader é gradativo e frustante como qualquer outra habilidade que necessita de desenvolvimento diário, como tocar guitarra.

Houve uma época que viver de bolsa de valores era o seu maior sonho. Posso te dizer, Rodolfo do passado, que esse momento ainda não chegou, mas você caminha para ele a passos largos.

sexta-feira, 3 de março de 2017

ganhe como um trader, pense como um assalariado

Venho tendo muitos problemas com a mentalidade all in, de querer enriquecer a todo custo, a cada trade. Questões existenciais, somadas a frustrações típicas do meu ambiente de trabalho, fazem com que o trading se torne a saída de emergência de uma vida medíocre, mais do que a entrada principal de uma nova vida.

Uma frase que aprendi nos cursos que fiz, e que é certeira para o day trading é:

Quem precisa do dinheiro, não ganha na bolsa.

Operar para precisar faz o dinheiro ficar "medroso": tomamos atitudes que não tomaríamos se não precisássemos. Passamos a alongar trades que, noutras circunstâncias mais relaxadas, seriam stopados rapidamente. Com isso, as perdas se tornam inevitáveis. O dinheiro medroso é uma maldição.

Venho procurando motivações e mentalidades que tirem o medo do dinheiro, de modo a emular um estado de espírito onde a preocupação não seja com o saldo da minha conta na corretora, mas exclusivamente com a leitura do mercado.

Comecei a vasculhar nos escaninhos da minha mente os momentos em que estava preocupado com o desempenho de uma atividade, ao invés dos lucros que ela proporciona.

Estava diante dos meus olhos o tempo todo: meu trabalho.

A maioria dos empregos do mercado não dependem de desempenho para serem remunerados. É claro, tirando os empregos que dependem do número de vendas e de clientes. Excetuando os trabalhos já mencionados, um trabalhador pode trabalhar de má vontade ou com dedicação, que o salário dele sempre será o mesmo no fim do mês.

Para muitas pessoas, essa segurança de sempre receber no fim do mês uma quantia fixa as torna relaxadas e capazes de se concentrar no desempenho da sua atividade.

Um médico não fica extremamente preocupado com o desempenho dos tratamentos dos pacientes. Longe disso ser um sinal de indiferença, ele está concentrado em diagnosticar e aplicar o tratamento correto em cada paciente que examinar. Se o tratamento não der certo, azar, mas ele deu o seu melhor. Parte-se para a próxima tentativa. Porque se preocupar com desempenho é como ficar desesperado com o fim do caminho sem se preocupar com o meio. De nada adianta querer chegar naquela praia paradisíaca se há uma ponte quebrada no meio do caminho.

Eu sei que vários livros de auto ajuda servem para a pessoa se tornar entusiasmada com seus objetivos de longo prazo, de modo a não desistir deles. Todavia, isso é diferente de não se preocupar com os meios de atingí-los. Em se tratando do mercado financeiro, ficar se lembrando toda hora do seu objetivo de longo prazo (ganhar dinheiro consistentemente) atrapalha.

A solução é emular uma situação, enganar seu cérebro. E é assim que eu farei de agora em diante. A preparação para o trade envolve mentalizar não somente trades vencedores, mas também a sensação de você não precisa se preocupar com dinheiro.

Vou fantasiar que o mercado me dará um dinheiro fixo no fim do mês, independentemente do meu desempenho. Esse pensamento, ainda que seja absurdo, me ajudará na concentração da leitura do mercado e no exercício dos stops das operações perdedoras.

Mas e se eu terminar o fim do mês perdendo dinheiro? Não faz mal. Afinal de contas, eu tenho um emprego, e não preciso viver de mercado. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

WDOG17, 23/01/2017

Diazinho mais ou menos para o dólar. Variação de 29 ticks (ou 14,5 pontos) entre a máxima e a mínima, com volume financeiro abaixo da média.

O dólar abriu com um breakout¹ de alta lindo, que rendeu uns sete pontos e poderia ter garantido o dia de muita gente. Depois, ficou oscilando em dois trading ranges² distintos: o primeiro entre 3170 e 3178 e o segundo entre 3170 e 3164.

Lá pela golden hour do horário de verão - entre 14 e 15:40 - a brincadeira ficou boa, com mais um breakout que levou o dólar pra 3192, a máxima do dia.

Seria possível antecipar os melhores movimentos?

antecipar abertura é difícil. Geralmente abrem com gaps devido ao leilão. Entretanto, após o segundo candle, eu apostaria numa alta, porque o breakout era óbvio.

A grande pernada do dia, lá pelas 15:00, era previsível. Não porque eu li algum indicador ou notícia (odeio acompanhar notícias e indicadores), mas porque antes do breakout em questão, houve uma barra de sinalização clássica, perfeitamente reconhecível (figura da esquerda, na primeira barra, da esquerda para a direita).

As barras de sinalização de alta devem:

  • Estar na direção do movimento (isto é, se você quer uma alta, a barra tem de ter um corpo de alta)
  • Ter uma cauda inferior com o tamanho de 1/2 a 1/3 do candle inteiro
  • Não ter cauda superior
  • Finalmente, não adianta a barra de sinalização de alta aparecer numa tendência de baixa, porque 80% das reversões vão falhar. É preciso que o movimento esteja lateralizado ou já esboçando a tendência que você deseja.
E teria como prever que essa tendencia de alta continuaria apos essa barra? Claro que sim, por mais um sinal clássico: uma segunda barra de alta (figura da direita, ultima barra da esquerda para a direita), chamada por Al Brooks de follow-through bar. Ela mostra a continuação do movimento.

Essas duas pernadas garantiram trades bem interessantes, de 14 ticks no dólar.

Candles descritos conforme a literatura e trades de muitos pontos. Nao há punchline³ melhor para se terminar um texto.

Glossário

¹ Breakout: qualquer ruptura de area de valor, suporte ou resistencia significativos.
² Trading Range: Canal de movimento lateral.
³ Punchline: seria o mote da piada, aquilo que faz rir, ou o clímax de um texto, o seu argumento principal.









domingo, 22 de janeiro de 2017

DOLFUT sexta feira 20/01/2017


O pregão da sexta passada teve variação típica para o dolar, de 33 pontos entre a máxima e a mínima. Abriu-se com um breakout¹ de baixa, havendo em seguida dois trading ranges² , separados por outro breakout que ocorreu entre 14:55 e 15:45.

Preste bastante atenção nesse horário. Entre 14 e 15 horas, tem sido bom operar devido à incidência maior de breakouts. Deve coincidir com horários de grande movimentação nos pregões americanos.

Além desse horário, outro no qual há uma chance maior de breakouts é a abertura do nosso pregão, embora as chances sejam menores. Na abertura desse dia, por exemplo, houve um breakout logo no início. Mas houve dias em que a abertura foi entediante e mostrou um trading range estreito, chato de se operar, ruim para iniciantes que não são bons em scalping.

Barras de sinalização para breakouts

Nesse pregão, os conjuntos de barras que antecederam/sucederam os breakouts foram as seguintes:

Às 9:25 (aprox.)
uma barra inside³ de alta (a menor das verdinhas) antecipa aqui o momento em que o breakout vira um trading range. Al Brooks diz em seu primeiro livro que uma barra inside é sinal sugestivo de mudança de tendência ou de lateralização, especialmente quando ela ocorre no fundo de um candle de baixa (numa tendência de baixa) ou no topo de um candle de alta (numa tendência de alta), e na direção do movimento esperado.


 Às 15:10 (aprox.)


O candle de alta é sucedido por um de baixa com corpo grande, que é seguido de mais dois candles de baixa com corpo significativo. Isso fala a favor de um movimento rápido de baixa responsável por levar o mercado a um novo canal lateral de preço, mais baixo que o anterior, que perdurou até o fim do pregão.


Trata-se de um dia típico, quando o dólar transita entre duas ou três áreas de valor, mantendo canais de preço laterais entre elas.

Para quem sabe ler fluxo, canais são muito bons. Pode-se ganhar muito dinheiro comprando na baixa e vendendo na alta. Entretanto, quem começa no tape reading vai achar o contrário. Vão entrar e sair errados até aprenderem pela dor.

A entrada das 15:10 acima seria a melhor operação do dia para uma pessoa que se atém a alguns conceitos de price action. As outras, eu ainda não tenho formação o suficiente para deduzir o que seria melhor.


Vamos na sombra para não nos queimarmos!

Ao final do mercado, houve um breakout de baixa que tem sido muito comum de ser observado nas últimas semanas, tanto no índice quanto no dólar:

Esse movimento era difícil de ser percebido na raiz, sendo melhor esperar uma segunda barra para se obter confirmação.

Disclaimer

Eu opero por leitura de fluxo, mas gosto de aprender em paralelo price action para complementar a informação. Não acho que uma coisa entre em contradição com a outra.

Glossário

¹ Breakout: qualquer ruptura de suporte ou resistência anterior, ou mudança de uma área de valor para outra dentro do pregão. Normalmente se leva em consideração o suporte/resistência/valor imediatamente anterior.
² Trading Range: um sinônimo de movimento ou mercado lateral (sideways market) muito usado por Al Brooks nos seus livros.
³ Barra inside: quando a mínima e a máxima de uma barra são respectivamente maior e menor que a da barra anterior, como se a anterior estivesse 'englobando' a seguinte.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pense menos


Paciência jovem trader, paciência.

Um dos meus professores profere, eventualmente, essa frase frustrante...

E ele tem razão.

Às vezes, eu me pergunto se sou lento ou se sou impaciente.

Taí o tipo da pergunta que mostra uma questão de perspectiva, de escolha no que crer.

Certos conceitos podem demorar mais tempo para entrar na sua cabeça do que o desejado.

Ou então certos conceitos parecem tão óbvios que você fica irritado de não tê-los concluído antes.

Jesus tinha razão quando dizia que o reino dos céus é das crianças.

(Não, esse não é um post cristão. Aqui fingimos todo esse papo cabeça, desprendido, mas na verdade há uma luta interna entre ser uma pessoa saudável, agnóstica com pitadas de civilização judaico-cristã, e servir a Mamon, deus do dinheiro na Bíblia.)

A criança aprende sem pressa, brincando. Ela não pensa: MEU DEUS PRECISO LOGO APRENDER ESSES NÚMEROS DE UM A DEZ, ESTOU FICANDO PARA TRÁS NO MARKET.

Ah, como eu invejo a mente de uma criança. O reino dos céus do aprendizado é dela. É um caminho muito menos doloroso do que o dos adultos, que se neurotizam em busca de desempenho cada vez melhor, essa quantificação mercadológica do que seria imoral se quantificável.

Mas essa inveja não precisa da mente infantil, também, se transformar noutra neurose fiscalizadora de pensamentos, assim como a neurose atual que possuo, em me fiscalizar para perceber se estou aprendendo tudo rápido ou devagar (nenhuma menção ao Livro do Daniel Kahnemann).

 O ideal mesmo, foi cantado por Tim Maia, numa de suas músicas pouco conhecidas (mas igualmente interessante):
Pense menos
Sim, esse é o título e o refrão da canção.

Como pensar menos no processo de aprendizado? Ainda mais no processo de aprendizado de ser um day-trader, onde a cada instante se perde uma oportunidade de lucro?

O ideal seria parar de se observar durante o aprendizado, parar de se fiscalizar e navegar nesse mar infinito de conhecimento que o mercado proporciona.


Não importa, jovem trader. Navegar é preciso, o mercado não é preciso. 'Preciso' aqui empregado tanto como contrário a imprecisão, e como sinônimo de necessidade.

Quando você experimenta o mercado, vale mais que mil palavras proferidas pelo seu guru dos trades no seu mais novo curso inovador.

Além disso, não devemos operar por precisar, mas por desejar. E o mercado não tem uma estratégia precisa que deva ser copiada.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

tape reading versus análise técnica

Não posso me julgar como pertencente a esta ou àquela escola.

Sou um trader, especulador, e gosto de fazer aquilo que vejo funcionar.

Evidentemente, como ainda careço de um método acessível de backtesting, minha concepção de 'aquilo que funciona' pode ser muito restrita.

Portanto, ao invés de me considerar um empirista, poderia dizer que sou um experimentalista até que se prove o contrário.

E qual é o contrário de experimentalista? Aquele que não experimenta métodos diversos, seja porque é conservador, seja porque se cansou de tantas variações.

Todo mundo começa meio experimentalista na bolsa. Até mesmo aquele aprendiz de um professor rígido, que estimula a hábitos estóicos de se ater fielmente a uma filosofia de percepção do mercado, olha de soslaio para esta ou aquela escola diferente da sua.

Eu não sou muito diferente disso.

Comecei na análise técnica. Era tudo tão mágico! Deduzir que os preços vão subir ou cair baseado num desenho... Mas isso se provou falho na hora de se apostar em muitos ativos.

Então cá estou eu, alternando entre tape reading e análise técnica.

Porque não abandono definitivamente um dos métodos em detrimento do outro? Porque continuo ainda com análise técnica?

O tape reading se mostra valioso em day trading. Uma agressão de compra de um player  institucional é vista como um sinal de entrada num ativo, porque o volume de compra será tão grande que consimurá a liquidez do book de ofertas, elevando os preços para níveis cada vez maiores. Esse é o sinal de compra menos retardado que temos para ingressar num ativo.

Entretanto, como adaptar isso ao Swing Trade? Por enquanto, não tenho conhecimento suficiente para isso.

O tape reading é instantâneo. Se uma pessoa está fazendo uma compra gigantesca de determinado ativo, essa compra pode durar horas ou dias. Se ela durar horas e você chegar no dia seguinte, perdeu o timing para se entrar no ativo. O preço não subirá mais, e ainda é capaz de você tomar um belo de um stop.

Entretanto, compras muito grandes de ativos podem durar dias, e aí que o tape reading pode extrapolar o day trade. Entretanto, o risco aqui é o mesmo de se analisar um gráfico.

Como saber se um player vai comprar mais do mesmo papel no dia seguinte? Não dá. Por isso, em intervalos de tempo maiores do que um dia, eu desconfio da utilidade da leitura da fita. Ela fica tão retardada quanto a análise de um candle diário, e você não tem como se certificar de que o player voltará no dia seguinte.

Para você saber isso, precisa ver se há fluxo violento de compra do mesmo ativo, mas no dia seguinte. Ou seja, não é possível adaptar o tape reading a uma leitura semanal: fazer Swing Trade com esse método requer aplicar o tape reading da mesma forma que no day trading ou seja, acompanhar ao vivo se a agressão ao ativo continua no dia seguinte, e no dia depois desse, e assim sucessivamente.

Ao contrário dos candles, a leitura da fita requer acompanhamento em tempo real. E sabemos que isso pode ser extremamente cansativo se você quiser acompanhar mais de um ativo. Requer várias telas, e não é a toa que traders experientes na leitura da fita não operam regularmente em média mais do que dois ativos.

O tape reading ainda não substituiu a praticidade de se colocar alertas de rompimento em gráficos de candlesticks de ativos que você pode deixar de lado. Há de surgir algum plugin de uma plataforma negociadora que permita receber alarmes de agressão de qualquer ativo, como um scan do mercado.

Eu vou mandar uma solução à Nelógica, a criadora do Profitchart, para criar uma tela de scan de todos os ativos negociados no Ibovespa, e colocar nos ativos alarmes de agressão. Quem sabe eles implementam essa ideia.